Fim dos Tempos

fim-dos-temposUm dos mais lamentáveis equívocos do cinema recente! Lamentável mesmo. Afinal, porque um diretor talentoso, com um histórico de excelentes serviços prestados ao cinema, de repente comete uma barbaridade como Fim dos Tempos? Qual a explicação? Parece haver somente uma: megalomania. Já aconteceu antes, de maneira ainda mais espetacular. Achando que tinha sido tocado por luz divina após dirigir com grande sucesso o oscarizado “Dança com Lobos”, Kevin Costner achou que dominava completamente os segredos da profissão. Assim, não deu ouvidos a ninguém e naufragou (literalmente) com a mega bomba “Waterworld”, em que ele atuou, além de co-dirigir e produzir. Parece que M. Night Shyamalan foi acometido da mesma ilusão.

Depois do estouro inicial de “Sexto Sentido” encarreirou filmes que, ora agradavam mais à crítica (Corpo Fechado) ora mais ao público (Sinais), mas sempre dando mostras de que tinha algo mais a dizer em meio à mesmice que grassa em Hollywood há algumas décadas. Enfim, aparecia um diretor com estilo e, o que é mais importante, com conteúdo. O primeiro tropeço veio com A Dama da Água. Neste projeto totalmente pessoal todos ficaram com a pulga atrás da orelha: a crítica e o público. Para realizá-lo, inclusive, o diretor rompeu com o estúdio no qual fizera todos os seus filmes anteriores, a Disney(!) alegando “diferenças criativas”. Mas o que era apenas uma suspeita acabou se transformando em certeza. De diretor inspirado cuja marca maior era surpreender o espectador com roteiros inventivos e bem humorados não se poderia esperar uma trama tão esquemática e previsível. Será que é esta a surpresa que ele preparou desta vez? Que raios aconteceu com Shyamalan? Se você já assistiu a Fim dos Tempos sabe do que estou falando. Se não assistiu ainda, não se dê ao trabalho. A menos que queira “ver para crer”. Saiba que sou fã deste diretor desde o início de sua carreira e fiquei absolutamente constrangido pela estultice demonstrada por ele neste filme. O roteiro, vergonhosamente oportunista, apresenta uma “revolta da natureza” contra o “homem predador” na forma de toxinas liberadas por plantas que induzem as pessoas ao suicídio. Parece esdrúxulo? E é mesmo. Acrescente aí um ventinho sob encomenda que a natureza mãe sopra sempre que as plantas aprontam uma nova remessa de toxinas para jogar sobre os humanos incautos. Com um detalhe: inicialmente a conspiração plantas/vento só atinge grandes concentrações humanas (não era o caso do diretor…) Mas, perfidamente, depois de um tempo, a rebelião da natureza começa a atingir também pequenos grupos. Some a tudo isso um Mark Wahlberg que engata uma cara-de-professor-preocupado durante todo o filme, no auge da canastrice, acompanhado por uma coadjuvante inexpressiva (Zooey Deschanel) com cara de doida bonitinha perdida em meio ao apocalipse querendo discutir a relação. Parece muito? Não é tudo. É preciso acrescentar a essa mixórdia a pieguice dos diálogos inacreditavelmente bobos. E tome gente se matando “enquanto o vento sopra”(esse deveria ser o título!): com revolver, com prendedor de cabelo (?), por atropelamento, com cortador de grama, pulando de prédios ou do que mais estiver à mão. Fim dos Tempos?! Sei não…Tá mais prá fim de carreira…

Uma resposta to “Fim dos Tempos”

  1. renata Says:

    natural algumas pessoas, devido tamanha ignorancia, nao entender a mensagem do filme…rs…. ÓTIMO o filme pela mensagem para poucos entender!

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